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Os heróis de verdade

 “Mamãe colocando as crianças na cama.
– Mamãe, alguma coisa pode nos machucar depois do abajur aceso? – Pergunta Michael
– Não, querido. Eles são os olhos que a mamãe deixa para vigiar os filhos dela.
– Mãe, você tem que ir à festa?  – Pergunta Wendy.
– É, mamãe. Você não precisa ir. O papai pode ir sozinho. Por favor! – Imploram os irmãos mais novos.
– Sozinho? O papai é um homem corajoso, mas vai precisar de um beijo especial para enfrentar os colegas hoje. – Explica a mãe.
– Papai? Corajoso? – Indaga Wendy
– É que existem vários tipos de coragem. Existe a coragem de pensar nos outros antes de si mesmo. E o seu pai nunca empunhou uma espada nem usou uma pistola, ainda bem. Mas ele fez muitos sacrifícios pela sua família e abriu mão de muitos sonhos.
– Onde foi que ele guardou? – Pergunta Michael, o mais novo.
– Guardou numa gaveta. Às vezes tarde da noite, nós os tiramos de lá para admirá-los. Ficou cada vez mais difícil para ele fechar a gaveta. Mas ele fecha. E por isso é um bravo! ”
(Filme Peter Pan, 2003. Universal Pictures)

Sábado à noite. Abro o Netflix e escolho um filme que não faz parte da lista de prediletos dos meus filhos, Peter Pan. O intuito é apresentar novas possibilidades, abrir a mente ao que há de novo no universo deles, já que Peter Pan já faz parte da infância de tantas pessoas, inclusive da minha. Gosto de fazer programas, ler livros, filmes que trazem um pouco da minha infância também. Isso estreita laços, dá um gostinho nostálgico e sem perceber, estamos brincando da mesma forma que brincávamos quando éramos crianças, gargalhando e nos divertindo com coisas bobas. Maternidade pode sim, ser algo prazeroso e divertido. Por isso a escolha desse filme. Eu o adoro! Adoro filmes que abrem as portas para um bom livro, coisa que pretendo fazer, comprando alguma obra que conte mais histórias do menino que não crescia nunca.
Estávamos todos sentamos assistindo, inclusive o papai, que apesar da distração do celular, acompanhava a história junto com os pequenos. De olhinhos arregalados enquanto ouvia Wendy narrar mais uma aventura com o temido Capitão Gancho, eles se surpreendiam com cada detalhe da narrativa tão eufórica da garota.
Até que nos deparamos com a cena narrada acima. Me emociono lembrando da quantidade de sonhos que tenho engavetados, alguns que nunca poderei realizar, ficaram anos-luz da realidade que tenho hoje, outros, à espera do momento perfeito para a realização. Coisa que pode demorar, sendo a minha prioridade outra: cuidar dos meus filhos e fazê-los crianças saudáveis e felizes. Ao olhar para o lado envergonhada com a lagrima que escorria no meu rosto, me deparo com um marido tão emocionado quanto e que pergunta:
– Será que esse pai sou eu?
A pergunta ficou martelando na minha cabeça e assim ficou por dias, ou melhor dizendo, por madrugadas.
Não seria essa a hora de mostrarmos aos nossos filhos quem realmente são os heróis da vida deles? Quem são os bravos que lutam diariamente pelas conquistas em família, nunca pensando no singular? Lógico, pedir que uma criança entenda a profundidade da abdicação dos pais da própria vida pela felicidade dos filhos, é demais para a cabecinha tão ingênua deles. Infelizmente, existem coisas que só entendemos quando vivemos, essa é uma delas. Apenas nos momentos em que temos que tomar essas mesmas decisões, passamos a entender as escolhas de nossos pais, o quanto abriram mão de seus sonhos por nós. Contudo, creio que nos cabe a parte de cultivar o orgulho no coraçãozinho dos filhos das escolhas que nós, pais, fazemos. Não importa sua profissão, mostrar o quanto trabalhamos duro para dar-lhes o que há de melhor.
Lembrei agora de um priminho meu. Saiu andando pela casa buscando teclado velho de computador, aparelho de telefone que estava estragado, caixinhas de papelão, papeis velhos e canetinhas. Montou um escritório no chão da sala e ficou lá, fingindo digitar no teclado velho, falando ao telefone. Perguntei o que era aquilo tudo, do que ele estava brincando?
– Estou brincando de ser o meu pai. – Foi a resposta.
Logo depois chega o meu tio, nervoso pelo dia estressante de trabalho e reclamando da bagunça que o filho havia feito, espalhando toda aquela tralha pela sala. O chamei no canto e disse:
– Sabe o que ele estava fazendo? – Ele acenou com a cabeça que não – Ele estava fingindo ser você, por que ele tem orgulho do pai e de tudo o que ele faz.
Seu rosto se iluminou. Estava ali um pai feliz e realizado.
Aqui em casa, contei para o Samuel tudo sobre a profissão do pai, de quando serviu o exército, todas suas proezas por lá e até da medalha que ganhou salvando as pessoas. Pensei que ele havia esquecido, pois nunca mais tocou no assunto. Até certo dia, ao vermos um filme, Brigada 49, onde os bombeiros são os heróis da história. O filme é bastante emocionante e achei que ele nem estava prestando atenção, entretido com os brinquedos. No final, Samuca me olha com os olhos marejados e diz:
– Mamãe, quando eu crescer, quero ser igual ao papai: ajudar pessoas e ganhar uma medalha! Para as pessoas fazerem isso – e bateu continência – para mim.
Pedi que ele contasse ao pai quando chegasse seus planos para o futuro! E pude ver mais uma vez, o rosto de um pai se iluminando de orgulho, sentimento não de dever cumprido, coisa que ele faz diariamente ao cuidar de nós, mas de realização, certeza do bom trabalho que está fazendo sendo um pai presente e amoroso.
Que possamos, pelo menos alguma vez na vida, experimentar esse sentimento. Termos orgulho de quem somos, tirar aquele pensamento de vida “inacabada” por causa dos sonhos engavetados. Que no nosso coração nasça a certeza do caminho que trilhamos e apesar dos sonhos deixados de lado ou das conquistas antigas empoeiradas na estante, há aquela conquista diária com os filhos, o dia a dia com eles. Para nossos filhos, somos as mulheres mais lindas do mundo, as mais sabichonas e espertas, até poderes de super-heroínas adquirimos com a maternidade, afinal, onde mais no mundo um beijo cura toda e qualquer dor?

Exercite o orgulho de si mesma, olhe-se com orgulho no espelho e diga para o marido fazer o mesmo! Há muito o que comemorar, acredite! Ou melhor acredite-se!!

Senta aqui mamãe, precisamos dar uma chance para o papai.

Foto: Jay Fotografia - Modelos: Marcos e Rafael
Este texto foi escrito pelo Uai, Pai Marcos, em resposta ao texto "Senta aqui papai, a gente precisa conversar sobre a mamãe".
As vezes nós mães somos tão zelosas que não damos chance aos papais né?

Esta semana dos pais é uma boa chance para mudarmos isso!

Oi mãe,

Você já percebeu o quão desajeitado o papai é quando vai me pegar?

Quando vai me dar banho (sempre com sua supervisão) você precisa orientar para ele me segurar do jeito certo, para tomar cuidado com a água no ouvido e atenção especial para não me afogar.

Lembra dele trocando minha fralda? Todo esquisito! Me levanta pelo pezinho igual a um franguinho, joga a fralda na minhas costas, passa pomada no meu bumbum e fecha a fraldinha toda torda. E sempre você do lado: passa a pomada devagar para não machucar! Cuidado para não apertar a fralda demais!

É mãe, se não fosse você eu estaria frito.

Mas precisamos entender o papai. Até antes de eu nascer, ele nunca havia segurado um bebe no colo. Nunca passou pela cabeça dele que dar banho em um ser tão indefeso como eu seria uma missão aterrorizante. Só de pensar que eu posso escorregar pelas mãos dele e me machucar, ele me segura com uma força que parece que vai me quebrar.

Mamãe, você acredita que o papai nunca brincou de boneca?
Ele está aprendendo tudo comigo. Só que para aprender é preciso errar.

Não me tire do colo dele quando eu der o primeiro choro, senão ele nunca vai aprender quando eu choro de dor, fome ou sono.
Deixa ele trocar minha fralda sozinho, encher minha bundinha de pomada, afinal ele apenas vai saber colocar a quantidade certa de pomada errando ou quando for me dar banho e perceber que a pomada em excesso não sai fácil!
Em falar em banho...
Experimente deixar ele me dar banho sozinho, espia ele do cantinho da porta só por segurança, mas deixa ele tentar sozinho me virar de costas, é muito engraçado, mas ele consegue.

Mãe eu sei que você faz tudo por mim e ninguém fará melhor que você. Ninguém me dará o banho mais gostoso, trocará minha fralda com maior cuidado para que eu não fique assado e que só de olhar, - antes mesmo de eu chorar-, sabe se estou com fome, sono ou dor.

Confie no papai! Ele morre de medo de te decepcionar e mesmo com aquele jeito brutamonte e desajeitado que ele tem, está dando o seu máximo para conseguir cuidar de mim sozinho.

autor: Marcos Eduardo Souza

Senta aqui papai, a gente precisa conversar sobre a mamãe.




Ei papai

Estou ainda me acostumando a sua barba que espeta e a suas mãos grandes segurando meu corpinho de bebê, mas já percebi pelo seu sorriso que você é amigão e por isso vou te dar umas dicas sobre a mulher da nossa vida. Essa mesmo, a mamãe.

Ontem de madrugada ela estava triste. Sozinha e no frio. Eu chorei, porque ela não podia. Pedi colo, porque assim eu dava um pouco de colo pra ela.
Tente entender papai.

Então, quando perceber as dobrinhas a mais na barriguinha dela, vamos combinar de deixar pra lá. Quando ver que o cabelo dela, antes cheio e brilhante, está caindo, lembre a ela que vai passar. Diga pra ela todo dia que ela é linda. É isso que eu falo quando a acordo com um sorriso ás 3 da manhã.

Eu e mamãe passamos 40 semanas juntos na barriguinha e eu ainda preciso muito dela. Então, se de manhã ela estiver com olheiras por não ter dormido, seja compreensivo e não se irrite se ela não achar boa ideia você ir pro futebol com seus amigos e quiser sua companhia. Troca a minha fralda ou lava a louça la na cozinha e lembra que vai passar! Daqui a pouco vou pro futebol com você e mamãe pode ler aquele livro que comprou antes de engravidar e deixou de lado pra ler tudo sobre maternagem.

Lembre a cada segundinho que não é fácil criar e parir uma nova pessoa. Lembre dos seios dela sempre pesados, gotejando leite e algumas vezes machucados. Eu estou aprendendo ainda e algumas vezes sou impaciente. Mas a mamãe nunca é!

E se ela não souber o que fazer e se desesperar enquanto eu choro desesperado, também sem saber o que fazer com meu corpinho e as coisas novas que estou aprendendo, me pega no colo, passeia comigo pela casa e dá alguns minutinhos pra mamãe chorar escondido, respirar fundo e voltar pra mim. As vezes a gente vai precisar desses minutinhos longe para vermos o quanto nos queremos.

Entenda por favor que ela vai ficar um tempo sem maquiagem, que ela vai até esquecer de escovar os cabelos depois das madrugadas que passarmos acordados. E se isso acontecer, penteia pra ela, faz uma massagem nos ombros tensos. Ela acha que tem que carregar o mundo todo nos braços e ela carrega, porque eu sou o mundo dela agora (mas depois que eu tiver um pouquinho maior eu prometo deixar você entrar nesse nosso mundinho!).
Algumas noites eu vou estranhar o mundo e tudo a minha volta. Vou chorar pra valer. Provavelmente vai acontecer no mesmo dia que eu passar a tarde toda acordado, brincando de testar minhas perninhas e braços.
Mamãe estará exausta eu sei. Mas não posso evitar experimentar o mundo.
Quando eu tiver até vermelho de tanto chorar e a mamãe chorando junto, me pega no colo, me leva pra uma voltinha no prédio e dê a mamãe pelo menos uma hora pra tomar um banho relaxante ou uma sonequinha.
Eu vou lembrar de você papai na mesma proporção do tempo que você se dedicar a mim. Aquelas horas que você "perder" deixando de lado um jogo na TV ou preciosas horas de sono são as que irão contar na balança do nosso relacionamento.
E pode ser até que a gente se acerte quando eu estiver maiorzinho, mas não podemos deixar a mulher da nossa vida se sentindo mal com ela mesma nesse meio tempo né?
Porque ela vai papai. Vai se culpar, vai achar que não está dando conta.
Meu trabalho é sorrir pra ela e ama-la cada dia mais. O seu é fazer parte.

Carta aos papais


Querido Papai,

Eu imagino o quanto você deve ter sonhado em ser pai. É claro, não tanto quanto nós mulheres que somos "treinadas" para aceitar e gostar da ideia antes mesmo de crescermos. Somos pressionadas, cobradas a cada reunião de família e encontro com os amigos. Algumas até cedem à pressão antes mesmo de estarem ou se sentirem preparadas para o feito e apesar de não nos arrependermos, assim de cabeça fria, muitas vezes na hora de dormir nosso pensamento vai longe pensando nas infinitas possibilidades que teríamos se não tivéssemos embarcado nesta aventura.

Mas o que a maioria de vocês não pensa é que ao se tornar pai, tem que se comportar como tal. Gestar, sentir dores, cuidar do recém-nascido, educar e abdicar de tudo para o bem de todos é, na opinião de vocês, trabalho de mulher. Tudo bem, eu entendo. Por tantos anos é o que é ensinado nas entrelinhas das propagandas de fraldas, onde a protagonista sempre (sempre!!!) é uma mulher. Na ida ao médico, toda conversa é direcionada à mãe como se os pais fossem meros figurantes, quando não os chamam de "paizinho", para mostrar a importância que é dada a paternidade.

Sei que em um país onde a paternidade é tão mal e porcamente realizada, em comparação com os pais que simplesmente abandonam suas crias, é o melhor que está tendo. O comparativo é injusto com as mães. Veja bem:

- Eu sou um pai que provêm sustento, trago dinheiro para casa e você é a mãe que cuida, que "só" cuida das crianças. É isso, ou você prefere aqueles que pagam uma pensão mísera e nem aparecem para fazer presença aos filhos e tem aqueles que nem isso!

Belo comparativo, hein? E não haveria uma versão melhor de pai? O ruim ou o pior ainda? Só a isso que temos direito?

Saibam, queridos pais, que entendemos o quanto trabalhar é difícil e ao chegar em casa a única coisa que vocês querem é sentar no sofá e assistir ao jornal em silêncio. É o que queremos também! Algumas de nós também trabalham fora e não têm esse direito. Chegam em casa e vão preparar o jantar ainda com o roupa de trabalho. Olham os cadernos, ensinam a lição de casa, dão banho e colocam os filhos na cama. Só aí, tomam um banho e desmontam de cansaço, na esperança do dia seguinte ser "tranquilo" como o de hoje. Por que, sim, há dias mais cansativos, com crianças pirracentas, que não querem dormir ou doentes. Neste caso, o trabalho triplica e não há ninguém para dividir. E eu me pergunto, que direito vocês têm de querer chegar do trabalho e ficarem sentados sem fazer nada? E não foram os dois que desejaram e tiveram os filhos? Por que o peso de cuidar está sempre sobre nossos ombros? Mesmo quando os dois trabalham fora, por que nós temos que ter jornada dupla (até tripla) de trabalho?

Há também as mães que ficam o dia todo em casa, descansando, vocês devem pensar. Mas não! Mal temos tempo de tomar um banho, comer ou fazer algo por nós mesmas. 24 horas por dia cuidando da casa e das crianças. Eu sei que vocês sabem que é muito mais difícil, mas nunca dirão para se sentirem superiores a nós que ficamos em casa "esperando" o provedor voltar. Eu sei que vocês descobrem isso quando, por algum motivo, precisam ficar com as crianças. Saímos deixando tudo arrumado e instruções claras anotadas com letras garrafais e pregadas na geladeira. Encontramos na volta a casa toda bagunçada, crianças sujas e peladas, cachorro comendo o que não devia, vocês mesmos desesperados e aos berros. Somos recepcionadas por filhos famintos e exultantes de felicidade com a nossa volta. Ao perguntar o que aconteceu, ainda recebemos críticas pelos filhos mal educados que criamos.

- Mas o que aconteceu realmente? - Insistimos
- Ha!!!! Eles correram e gritaram pela casa, comeram biscoito no sofá e deixaram migalhas por toda parte, derramaram suco na cama, mexeram nas minhas coisas e bagunçaram meus documentos do trabalho, brigaram o tempo todo, jogaram brinquedos uns nos outros, o menorzinho fez cocô e tirou a fralda por conta própria e esfregou por toda parte. Tive que dar banho, alimentá-los e ficar o tempo todo de olho.
- É assim todo dia, ué. O que você esperava? - Respondemos. - Se você tivesse lido as instruções que deixei talvez fosse mais tranquilo.
- Quais instruções?

Neste ponto desistimos de conversar.

Vocês querem suor, lágrimas e sangue para encontrar a casa limpa, esposa cheirosa e crianças de banho tomado se preparando para dormir. Aí o pai maravilhoso que é só aparece para o beijinho de boa noite e ainda tem uma esposa linda e agradável que passou o dia todo descansando para namorar. Que beleza, não? E de onde vocês tiraram que se casaram e tomaram posse das nossas vidas? Só gostaria de saber... Por que pela família abrimos mão de tudo, de quem somos, nossos desejos, imaginando que estamos fazendo o certo para o bem de todos, imaginando que alguém mais pensaria no bem de todos e pensaria no nosso próprio bem. Mas não. Ao encontrarem esposas que cuidam e zelam, ao invés de unir o cuidado e o carinho, exploram o que fazemos. Coisa feia, viu? Quantas mulheres achando que é assim mesmo. Que desde que o mundo é mundo homem se comporta dessa maneira e nós mulheres temos que nos adaptar, nos acostumar. Para a maioria de nós, mulheres, homem se comporta de OUTRA maneira.

Homem que é homem cuida dos filhos, divide obrigações domesticas, procuram entender o que as mulheres passam na gestação e no puerpério (procure no dicionário, caso ainda não saiba), realmente se interessam pelos filhos e com crescimento deles.

- Ha! Mas eles te obedecem mais fácil.
- É claro! Convivemos diariamente com eles e fica muito mais fácil entender quando se convive.

- Mas essas crianças estão muito mal criadas!
- Insatisfeito? Então conserte! Faça melhor na criação deles!

- Ha! Mas você entende melhor disso!
- Por que? Por que sou mulher? E por acaso mulher nasce com uma programação especial, sabendo trocar fraldas, dar banho, amamentar e cuidar? Não! Aprendemos. E sabe por que? Por que temos interesse em aprender. Quem tiver interesse, sendo homem ou mulher, também aprenderá.

- Trabalhei o dia todo e ainda tenho que chegar em casa e ajudar?
- Claro! Nós, que ficamos em casa, nunca saímos do nosso trabalho, ele nos acompanha todos os dias, todos os dias do ano, sem um minuto de folga, até nas férias. E as mulheres que trabalham fora? Elas também estão casadas. E aí? Quem cuidará de tudo se todo mundo achar que pode deixar para lá, que têm esse direito? Quando nos tornamos pais, alguns direitos básicos vão por água abaixo. Insatisfeito? Não tenha filhos!

- Eu ajudo como posso!
- Ajuda? Ser pai não é ser ajudante, meu caro! Não é dar uma "forcinha", nós não precisamos de força, já temos isso de sobra! Você deve ter percebido no parto e no pós parto, no caso das cesarianas. Nós queremos pais presentes que sabem de suas obrigações. Sim, são obrigações, não "favores".

- Mulher é muito chata com essas coisas!
- Neste caso, caríssimo senhor. Honestamente, te aconselho a se casar com um homem, mas um que não queira filhos, viu? 

Sinceramente, não queremos pais que empurram o carrinho, que tiram fotos bonitas para o Instagram e postam frases de efeito. Não precisamos de pais que ficam de piadinhas quando o assunto é trocar fraldas, por que não tem graça nenhuma. Não queremos pais que perguntam se queremos ajuda rezando para a resposta ser "não". Não precisamos de homens machistas que ensinam para seus filhos que lugar de mulher é na cozinha ou cuidando dos filhos, que ensinam para seus filhos o que é "coisa de menina" e "coisa de menino". Homens que respiram aliviados com a chegada de uma menina e ainda externam sua opinião para a mãe dizendo que agora sim, ela terá uma ajudante em casa. Não, nós não precisamos disso!

Aos papais que querem fazer diferente mas não sabem como, afinal, foram criados por pais que pensavam como esses que citei acima, tenho uma dica valiosa: Se vire! Isso mesmo! Procure saber, pesquise, pergunte. Nada melhor que a prática para ensinar. Quer aprender a trocar fraldas? Troque. Quer aprender a fazer o jantar? Faça. Quer cuidar melhor da sua família? Cuide.

Porém, depois, não pense você que está fazendo algo extraordinário, por que não está. Você não é um super pai por que faz essas coisas básicas. As pessoas precisam parar com essa mania de achar isso. Olham um pai sozinho com uma criança e acham encantador, tão bonito, tão mágico ele cuidando do filho sem ajuda nenhuma. Olham para um mãe na mesma situação e pensam:

- Lá vai outra largada pela marido!

E se a criança ou a mãe estiverem com uma cara ruim ou de cansada:

- Alá!! O pai não deve ter aguentado... Também, com um humor desse, nem eu aguentaria. Isso que dá. Agora está sozinha cuidando do filho. Nunca mais encontrará ninguém, por que homem nenhum aceita cuidar do filho dos outros. - Sendo que a maioria, é incapaz de cuidar do próprio, né?

Vamos parar com isso? Você não sabe se o pai está logo ali atrás da moça empurrando o carrinho de compras, se ela está indo ao seu encontro, se ele está trabalhando ou se ela quis sair sozinha com o filho. Pode ser até que o pai da criança tenha decidido provar de uma vez por todas o quanto é inútil e realmente não faça nada, nem passeie com a família. Pode ser também que o pai não seja presente, mas o importante nisso tudo, é que nada disso importa. Ao ver uma mulher sozinha com o filho, faça uma coisa simples: olhe para o outro lado.

Família é construção diária, é cumplicidade, é alicerce da vida. Para criar filhos saudáveis e felizes, nada como um ninho bem construído. É claro, não é necessário que tenha um pai, nem que tenha uma mãe. Não importa o formato dessa família. O importante é que ela seja feliz. Para isso, todos temos tarefas a cumprir e em cada uma delas, a alegria enorme e gratidão pela família linda que estamos construindo.

Portanto, papais. Não queremos uma mãozinha. Queremos o corpo todo, principalmente o coração. Afinal, colocando o coração em tudo o que fizer, fica fácil enxergar o quanto sua esposa está cansada, o quanto criar filhos é exaustivo e o quanto cria-los bem é importante. Trabalho de formiguinha, feito aos poucos, diariamente, e em equipe!


Relacionamento pai e filha



Quando nasce uma menina não nasce apenas uma mãe com pré-disposição a embonecar o seu bebê, nasce também o pai mais babão do mundo!

Quem conhece o Mauricio sabe bem do seu jeitão atrapalhado, abrutalhado e personalidade forte, típica de militar.  Mas o que ninguém sabe e vê é a delicadeza em que ele trata a Luiza, seu xodó. O mundo caindo aqui em casa e ele com a voz mansa conversando com ela. Sempre dizendo o quanto ela é delicada e precisa de cuidados. Os meninos mal chegam perto dela e lá vem o Mauricio dizendo para tomar cuidado, para não machucá-la. Se os meninos caem, "levanta que não foi nada"... Ô meu Deus!! E eu é que bajulo os meninos!! Haaa...Mas a princesa Lulu, não!! Cheia de regalias!! Fica no colo dele por horas deitadinha no peito dele, no meu, não para quieta!! Ela também tem a sua preferência, que eu já percebi. rsrs! Está muito obvio o meu ciume??? rsrs!!!

É impressionante o que uma menininha faz com a nossa casa, perfumando, alegrando e acalmando, já que todos evitam falar alto para não assustá-la, as brincadeira são mais gentis para não machucá-la, até as cores são mais delicadas. Somos envolvidas por bonecas com vestido azul clarinho, laços de cabelo rosa, sapatinhos amarelinhos... Tudo bem sutil, bem a cara da Luiza. Impressionante também o que essa menininha faz com os "homens" da família, aflorando toda a gentileza, carinho e delicadeza de garotos que antes eram tão brutos e barulhentos. Quando ela está por perto, tudo muda, para melhor, é claro!

O papai que antes só sabia falar de futebol, agora se rende aos vestidos e laços e por vezes o vejo debruçado sobre ela conversando, enaltecendo sua beleza e inteligência, coisa que só havia visto fazer comigo mesma. Mas não fico com ciumes, não!! Fico feliz em dividir o meu reinado com uma princesa linda que mais parece um sol, com olhinhos cor de céu, sempre sorrindo!

Vocês já leram o post sobre a ordem do nascimento influenciar na personalidade da criança? Não?? É este aqui!! Nele eu conto como o terceiro filho vem para harmonizar a família. E é exatamente assim aqui em casa, ela veio para completar a nossa família, nos unir e trazer alegria.

Quanto ao relacionamento dela com o Mauricio, sempre sonhei em lhe dar uma menina, para que ele curtisse o que era ter uma princesa linda em casa, para que alguém mais o amasse como, ou próximo ao que eu amo. E não sei se vocês já repararam, filha ama o pai de um jeito mais profundo, parecido com a forma que as esposas amam. Conheço histórias em que pai tem que comprar flores para a mãe e para a filha, caso contrário dá até briga! rs! É lógico que existem filhas desnaturadas, por aí, mas essas não contam! Não sabem o que estão perdendo. Para mim, que não fui criada pelo meu pai, ver a Luiza cercada de proteção me faz realizada! Como esposa, ver quem mais admiro no mundo tendo o amor puro dessa minha lindeza daqui e vê-lo feliz, derretido e entregue a esse amor...não existem palavras para descrever!!

Se você está à espera de uma menina, prepare-se para dividir o reinado, mas também para ver aquela coisinhas linda extrair o que há de melhor do seu marido e de você mesma, que por ser espelho dela, se sentirá cobrada a ser sempre melhor! E existe coisa melhor no mundo que experiências nos fazendo evoluir?

Caso já tenha uma princesa linda aí em casa, conte-me mais, como é o relacionamento dela com o papai. Adoooro essas histórias!! rs!



Bjos!



Amor que só pai de verdade ensina!!

Estou vendo TV. Pelo canto do olho vejo que o Samuel está olhando para mim, finjo que não percebi. Mas ele continua, espera que o meus olhos cruzem com o dele e diz com toda doçura do mundo:

- Eu te amo!! - Assim, naturalmente.

Eu respondi que também o amo e pergunto:

- Por que você diz toda hora que me ama, filho??

Resposta:

- Papai me ensinou a falar que te ama!! Ele disse para eu falar toda hora para você. Foi ele mesmo que me ensinou "eu te amo".

Meus olhos encheram de lágrimas!!

Poucas, pouquíssimas pessoas sabem sobre mim, acho três pessoas ou menos!! E quem sabe esse pouquinho sobre a minha vida (porque sou fechada demais para contar minhas coisas para qualquer um...), conhece o que tenho passado nesses últimos meses de solidão, tristeza sem motivo, depressão mesmo. E quem acompanha de perto vê a paciência de Jó que o Mauricio tem tido comigo. Só ele mesmo. Mas o que sempre esperei dele no nosso casamento foi exatamente isso. Muito mais que amor, sexo, amizade... acho que o mais lindo em momentos assim é o companheirismo. Porém, eu nunca esperaria essa frase vinda do Samuel. Que o Mauricio ensinaria o meu filho a não apenas me amar (porque filho ama mesmo...), mas dizer isso, diariamente e a todo instante, para me mostrar o quanto a nossa família é linda e importante!

Isso sim é trabalho de pai!! O maior e melhor que já vi...
E dane-se quem não sabe valorizar isso, né??

Obrigada, amor!! Te amo!!!