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O antes e depois de ser mãe

fonte: arquivo pessoal
COMO ERAM E HOJE SÃO MINHAS NOITES

Antes...

Gostava de dormir, sempre acordei tarde. Dormia tarde demais. Ás vezes eram quatro da madruga e eu ainda em pé, vendo séries, batendo papo no extinto Orkut ou no MSN (lembra?) ou fazendo trabalho de faculdade. Sempre produzi melhor à noite.

Agora...

Ao me tornar mãe, pensei que não daria conta. Ganhei um livro enorme explicando tudo sobre o bebê até os 2 anos. As primeiras páginas explicavam doenças que poderiam afetar o bebê, ou seja, fiquei paranoica e logo percebi que minha habilidade de dormir tarde seria muito útil. Aprimorei e virei um zumbi humano. Bom, pela menos, estava acordada, não importa a base de quê, mesmo sendo a base do medo! rs!




SOBRE GOSTAR OU NÃO DE COZINHAR
fonte: arquivo pessoal
Antes...

Diziam que eu cozinhava bem, mas quando fiquei 1 mês cuidando de uma priminha, ela pediu "pelo amor de Deus" para o pai dela não comprar macarrão, por que ela não aguentava mais comer aquilo, coitada. rs!

Agora...

Apesar de gostar de cozinhar, fazer papinhas, não é lá um prato muito agradável para se fazer. Vai pouco tempero, requer pouca prática, até mesmo por que não temos mesmo, não leva óleo ou ingredientes muito elaborados e no final de tudo, ainda temos que amassar. Vira uma meleca, né? rs! Sem contar as vezes que fazemos tudo com todo carinho e o bebê cospe tudo, sem dó nem piedade de todo trabalho, tempo e empenho empregado. Resumindo, é um trabalho que exige uma certa criatividade na cozinha e muito jogo de cintura, coisa que eu não tinha sobrando. Tive que aprender. Samuel comia de tudo, não tive problemas com isso. Bernardo não gostava de verdura e papinhas amassadinhas. Queria comer era arroz com feijão. Luiza hoje come bem, mas introduzir a alimentação salgada foi um desafio. Ela só queria frutas e papinhas doces, mas salgadas, necas!!! Minha avó que sugeriu que eu desse abóbora com cenoura e pouco sal. Ela amou e aos poucos, fui introduzindo alimentos mais salgados e variados, porém sempre com a abóbora como base. E quando se tem 3 crianças que comem completamente diferente uma da outra? Ô minha gente... eu tenho que rebolar, viu? Haja criatividade!



SOBRE CONVÍVIO COM CRIANÇAS

Fonte:Arquivo pessoal
Antes...

Era impaciente com crianças, nunca havia me passado pela cabeça ter uma em casa, só minha. Sempre cuidei dos meus primos e (sinto em dizer, "primaiada"...) era chato demais cuidar dos menores.

Agora...

Não há um lugar no mundo que vá sozinha, sem meus filhos. Pode ser o supermercado, médico, mesmo sendo o ginecologista, até no banheiro... Estão sempre comigo! E sinceramente, faz parte da minha rotina, nem percebo mais. É claro, por ser meus filhos, eu conheço melhor, tenho autoridade sobre eles e sinto prazer em tê-los sempre comigo. Há aqueles dias que acordo querendo ficar sozinha, quietinha no meu canto, porém esse luxo não posso me dar! Ter filho é estar acompanhada 24 horas por dia!!!



SOBRE FICAR EM CASA

Fonte: Arquivo pessoal
Antes...

Era "rueira", como dizemos por aqui, daquelas que adoravam ficar batendo perna por aí. Saia e voltava bem tarde, emendava um programa com o outro, sem nem avisar em casa. Minha mãe havia falecido e era mais ou menos cada um por si e Deus por todos!

Agora...

Novidade são os dias em que saio de casa. Se não fosse a janela, nem saberia o clima da cidade. Por muitos anos, só saia no final de semana, por causa das crianças. Isso quer dizer, que não botava o pé na rua até chegar sábado.

Sair com eles dá tanto trabalho. É tanta tralha para levar, você tem que pesar se vale a pena. Na maioria das vezes, eu achava que não valia. De uns tempos para cá, tenho dividido mais a tarefa de cuidar das crianças com o marido. Então, às vezes, saio sozinha, mas é raro. Com o blog, os eventos para ir estão aumentando, mas mesmo assim, é complicado. Não fico em paz enquanto não deixar tudo certinho para facilitar a tarefa para o marido. Dou banho nas crianças, alimento, deixo coisas pré-preparadas, um monte de instruções e ainda ligo para verificar. Sofrido, viu?


SOBRE OS ESTUDOS
Antes...

Tiravas notas ruins em qualquer matéria que envolvesse raciocínio lógico. Para mim, nada daquilo era lógico, apenas a minha lógica de nada fazer sentido e ponto. Não era falta de esforço, mas realmente aquilo não entrava na minha cabeça. Em compensação, Português, História, Geografia, Literatura, eram minha praia.

Agora...

Aplico a Física de forma prática na minha vida. Citarei um texto meu que você pode ler completo aqui.


"Quantas vezes nos pegando seguindo uma rotina às cegas, sem nem pensar se ela é tão necessária ou tão benéfica. Acontece que filho é o "X" dessas equações. Passamos a vida inteira procurando não o seu valor, que é inestimável mesmo, mas prever seus "passos", possíveis trajetória, sem sucesso, é claro. Cada dia um resultado diferente. Cada manhã um recomeço, se dermos a sorte de dormirmos! Para complicar a vida, há também aquela força externa que pode ser uma noite mal dormida  - efeito zumbi -, dentição, "terríveis dois" - já escrevi sobre isso -, alguma mudança na rotina como um passeio ou entrada na escolinha, visitas, presentes, avós, irmãos que nascem, irmãos que vivem em outra casa, irmãos que vivem junto, seu humor, humor do pai, babá atrevida que ensina o que não foi instruída a fazer, seu trabalho, trabalho do marido, pitaco "dasamiga", pitaco da sogra, pitaco de qualquer um, enfim, tudo que tire a normalidade da rotina da família, mudanças necessárias ou que fazem parte do cotidiano, mas que mesmo assim, trazem um certo estresse. Essas forças externas, quando chegam e sempre chegam, caso não estejamos preparadas, ressabiadas, cabreiras e bastante espertas para perceber, somos levadas como por uma onda. Se deixarmos, podemos acabar jogadas nas pedras, metaforicamente falando.Na prática, tomamos aquelas atitudes que não fazem parte da nossa personalidade, não retratam quem somos."



SOBRE LIBERDADE

Antes...
Desenho do Samuel

 
Achava que todos tínhamos que pensar igual. Para isso, era determinada na minha tarefa de persuadir, convencer à todos a mudarem de opinião, a pensarem como eu pensava.

Depois...

À medida que embarcava e me aprofundava na maternidade, apesar do senso crítico ficar mais aguçado e ficar mais seleta em relação às amizades e quem realmente merecia a minha atenção, desenvolvi de forma mais abrangente a empatia, que é a capacidade de se colocar no lugar do outro. Ao me deparar com qualquer situação de conflito ou a ser discutida, passei a me colocar no lugar do outro, mesmo quem parecia ser o vilão da história, afinal, ninguém é totalmente bom ou em sua totalidade mau. Sinto que me tornei uma pessoa melhor, mais humana.


MINHA PERSONALIDADE

Bernardo em sua rotineira pirraça
Antes...

Mimada, queria tudo do meu jeito. Acho que fui uma criança difícil, viu? rs!

Agora...

Pago minha língua e com gosto! Luiza é cri cri, mandona, atrevida. Perguntei para uma tia de onde essa menina tirou essa personalidade, se havia alguém na família que se assemelhasse:

- Você! - Foi a resposta - Você era atrevida e cri cri desse jeito, parece até que estou vendo você pequenininha.
- Não acredito! Eu era mesmo assim?
- Era!

Ri. O que mais eu poderia fazer? Pelo menos sei mais ou menos o rumo da personalidade dela. Da mesma forma que identificam característica da minha mãe em mim, creio que no futuro enxergarei ainda mais do que já enxergo hoje, um pouco do que sou na Luiza.

Fui agraciada com três filhos de personalidades tão diferentes. Aprendi na marra como lidar com cada um deles, com suas manias e birras. A impressão que tenho é que sou expert no assunto, talvez não... rs!


BELEZA

Antes...

Vaidosa ao extremo, criticava ou olhava torto para qualquer mulher que eu via sem salto e maquiagem, como se fossem desleixadas.

- Como uma mulher pode se largar tanto de lado? Como tem coragem de dizer que não tem tempo? Todo mundo tem tempo de pelo menos passar um batom! - Pensava.

Agora... 

Me identifico com mamães que narram o seu dia como cansativo e definem sua rotina com "não deu tempo de comer, o que dirá tomar um bom banho!?"

Realmente, só sendo mãe para entender essa vida de cuidar do outro antes de você mesma, de abrir mão de sua vaidade para manter um serzinho tão dependente bem cuidado, alimentado, seguro. Questão de prioridade. Com o tempo, vamos adequando nossa vida à de nossos filhos, abrindo espaço, criando uma rotina mais flexível que nos favoreça também. Aí sim, sobra um tempinho para nos cuidar, nos alimentar direitinho, tomar um bom banho. Devagarinho vamos retomando nosso lado mulher e logo, nem lembramos o quanto foi custoso chegar até ali.


SOBRE O SILÊNCIO QUE TANTO AMO

Antes...
Fonte: Arquivo Pessoal

Gostava de viajar sozinha. Me hospedar em quartos grandes e silenciosos para pensar, dormir até tarde, passar um tempo comigo mesma.
Ficava horas em silêncio, só por prazer de ficar incomunicável. Certa vez, um ex namorado ao me conhecer, confessou que me via todos os dias no ônibus, sempre sozinha e calada, respondendo a todos por movimento de cabeça e pensou que eu era surda-muda. rs! Acredite se puder!

Um dos momentos mais legais da minha vida, foi ir a um retiro e ter que ficar sem conversar, sem bater papo por 3 dias. Isso mesmo! 3 dias sem uma boa conversa e olha que haviam outras mulheres maravilhosas por lá. Eu e mais cinco garotas compartilhávamos o mesmo quarto, mesmo assim, não trocávamos uma palavra. No início foi bem complicado, mas logo me acostumei. Era natural para mim. Quando retornei, tive dificuldades em conversar com outras pessoas futilidades, como sempre fiz. Passei a apreciar ainda mais o silêncio, o meu silêncio.

Agora...

Interessante e irônico uma pessoa que goste tanto do silêncio planejar três filhos com uma diferença de idade tão pequena entre eles. Silêncio aqui em casa, só depois das 22h quando finalmente, todos estão na cama, incluindo os cachorros. E é nessa hora que eu escrevo, leio, vejo filmes, fico sozinha pensando, enquanto ouço uma boa música. No dia seguinte, é claro, sou a exaustão em pessoa, mas vale a pena. Prefiro assim. Caso contrário, enlouqueço. Preciso desses minutos à sós comigo mesma.

Para quem gostava tanto de viajar e sair sozinha, estar sempre acompanha, às vezes é desesperador! Sim, desesperador. Há momentos que não queremos companhia, no banheiro, por exemplo. rs!

São planos para o futuro retomar velhos hábitos que me faziam tão bem, como viajar sozinha, digo sem filhos, já que o maridão sempre está por perto! Por enquanto, me contento com as madrugadas em claro...


COMER!!!

Antes...

Adorava comer lentamente, para sentir o gosto da comida com calma e comer bem quente.

 Agora...

Para comer bem e com calma, tenho que  alimentar as crianças, colocá-las para brincar, assistir um filme ou tirar uma soneca e só depois posso me sentar à mesa e comer tranquilamente. Complicado, viu?


 
PAIXÃO PELO FUTEBOL

Fonte: Arquivo pessoal
Antes...

Sempre gostei de futebol, nunca com um time do coração. Sei cantar um pouco de cada hino dos principais clubes brasileiros, já vesti camisa do Atletico/MG, já assisti jogos do Cruzeiro e, confesso, já torci para o Kaká...ops, para o São Paulo, coisa de adolescente.

Agora...

Mas desde que conheci o Mauricio, passei a torcer pelo Fluminense carioca. No início foi para acompanhar o marido, mostrar interesse por suas paixões, mas logo passei a gostar de ir aos estádios, cantar as músicas e hino. Quando o Samuel nasceu, logo com 59 dias, ele foi ao estádio assistir ao jogo do Flu. Não, não sou uma mãe irresponsável. Foi um jogo tranquilo que não representou perigo nenhum, afinal, que espécie de mãe você acha que sou? Por favor não responda! rs!

Ele cresceu e junto com os centímetros acrescentados à sua estatura, uma paixão louca pelo time também fez parte do seu crescimento. Hoje eu continuo torcendo pelo Fluminense, porém a coisa fica séria quando se trata da paixão do Samuel pelo time. Ele fica triste quando perde, comemora tanto as vitórias. Faz parte de nossas vidas ir ver o Flu jogar e um vínculo muito bonito com o pai. Ás vezes, deixo que façam "programa de pai e filho", reservo esse espaço para o Mauricio, para que convivam e apreciem a companhia um do outro. Tenho certeza da boa semente que estou plantando e gerará bons frutos.
 



VIDA PROFISSIONAL

Antes...

O trabalho era tudo o que mais amava. Acordar cedo, me vestir, colocar meu salto agulha e sair maquiada para matar o meu leão diário era maravilhoso. Adorava!!

Agora... 

Larguei tudo!! Tudinho por meus filhos. Se me arrependo? Não! Mas às vezes me bate um vazio, uma sensação de inutilidade. Até eu perceber o quanto meus filhos são bem cuidados, o quanto a minha dedicação não será em vão. Valerá à pena, eu sei. Gostaria de compartilhar outro trecho que escrevi exatamente sobre essa sensação de inutilidade de se ficar em casa.


"Ficar em casa, não me deixou burra, inútil ou foi uma escolha fácil. Adorava trabalhar, estudar. Eu simplesmente pude escolher e tenho que colher os frutos da minha escolha, por exemplo, ver minhas amigas crescendo na vida profissional, enquanto estou aqui colocando criança para dormir, trocando fraldas, cuidando dos meus filhos. Eu escolhi desacelerar as coisas por um tempo, mas não parei a minha vida, coloquei um post-it no trecho que dizia "vida social e profissional". Logo eu volto ao ponto que marquei e retomo tudo de onde parou. Continuo aqui sonhando em estudar mais, trabalhar fora, crescer profissionalmente, só fico na expectativa para que esse dia chegue, na certeza que fiz o meu trabalho como mãe e logo farei o melhor que puder na vida profissional."
  (texto completo aqui.)
 Outro texto que escrevi sobre o assunto é o Ser mãe e profissional ao mesmo tempo é punk!

    A maternidade me transformou completamente! Não há nem comparação. Não perco mais meu tempo com rixas inúteis, nem com discussões que não levarão a nada. Sinceramente, há coisas mais importantes para eu fazer e é onde concentrarei minhas forças.

    O interessante é que eu fazia tanto antes dos meus filhos, me sentindo a garota mais linda, inteligente e esperta do mundo. Mal sabia dos desafios que estavam por vir! A maternidade aprimora o que há de bom em cada mulher, trabalha nossas imperfeições e temos que vencê-las diariamente.

    E com você? O que mudou na vida? O que aperfeiçoou? O que está sendo custoso?

    Beijos!


    ROBERTA CAMPOS - CASINHA BRANCA

    7 dicas para conviver com crianças de 1 a 3 anos

    Fonte: enciclopediadobebe.com.br
    Um vídeo muito engraçado do Story of This Life tem feito sucesso, mostrando a rotina, coisinhas simples que só que tem uma crianças de 1 à 3 anos para entender. No vídeo, essas crianças são chamados de toddler, termo usado para classificar aquelas que não são mais tão bebês, nem crescidos o bastante para serem independentes . Estão naquela fase complicado de aprendizado, de descobrir o mundo, os sons, texturas, o limite da paciência dos pais. E é aí que entram essas preciosas dicas de sobrevivência.

    Luiza está exatamente nesta fase. Ao mesmo tempo que é uma fofura vê-la crescendo e se desenvolvendo, dá um certo desespero. Cada dia uma novidade de travessura... E dá-lhe criatividade! Nossa para nos safar da bagunça e dela em aprontar todo dia uma coisa diferente.

    O video lista 7 regrinhas para conviver melhor com os bebês...ops!... com essas crianças! rs!

    1. A canetinha não é feita só para o papel.
    2.  Se você não sabe o som de algum animal, invente.
    3. Se um bebê te estender um telefone, atenda.
    4. Fique atenta ao que diz, eles com certeza repetirão.
    5. Em algum momento, eles sempre farão de você um mentiroso.
    6. Se eles odeiam a comida um dia, também odiarão o dia seguinte.
    7. Se estão quietos, provavelmente estão fazendo alguma travessura.



    Fonte: Catraquinha

    Diga NÃO às expectativas alheias

    Fonte: Revista Donna
    Será libertador o dia que as mamães pararem de julgar a vida e as escolhas das outras.
    Não critico o julgamento em si, já que é inevitável mesmo! Todas julgamos umas às outras. Sempre... Observamos, absolvemos o que é bacana e criticamos o que achamos esquisito ou difere dos nosso hábitos. Coisa da vida, da natureza humana.

    Agora, imagine a cena:

    Três famílias almoçando no shopping, sentadas em mesas próximas...Vamos imaginar uma que seja parecida com a minha, ok? Com três filhinhos de 6, 3 e 1 ano e meio.

    Família 1
    A mãe leva a comidinha feita em casa para o menorzinho que ainda é bebê e não pode comer "porcarias", correndo o risco de uma intoxicação com comida da rua. A gente não sabe quem botou a mão, né? Levamos de casa, condicionado na bolsinha térmica. Vai ao restaurante mais natural possível, enche a prato dos outros dois filhos de legumes e um grelhadinho. Eles nem conhecem Mac Donald's por que a mãe nunca deu e não permite que eles passem tempo em frente a TV para descobrir o que é. Ela, antes de comer, leva todos ao banheiro para lavar a mão, quando chega na mesa dá uma reforçada com álcool gel e limpa novamente todos os talheres usados. Enquanto o pai come tranquilamente, a mãe desesperada implora para os maiores comerem. Eles não querem. Querem correr, brincar. A menorzinha faz uma lambança daquelas com a papinha e fica chorando quando a mãe tentar limpar o máximo possível com o lenço umedecido. Os maiores começam a brigar e mexer na comida do outro, já que não tem interesse nenhum em comer.

    - Nãoooooo! Com a mão não, "Filhinho 1"!!! É falta de educação!
    - Não fala de boca cheia, "Filhinho 2"! E senta direito! Você não está no sofá de casa!!!
    No final, a mãe não comeu nada e está estressada, o pai está satisfeito e tranquilão, os maiores não comeram e agora brigam, o bebê chora e está imundo, lambuzado de papinha. E o que deveria ser um passeio vira um filme de terror! Todos vão embora estressados e cansados, desistindo do passeio que deveria ter sido para lazer.

    Família 2
    A mãe está acompanhada da avó das crianças. A mãe tira um lenço umedecido da bolsa e limpa as mãozinhas de todos. Deixa que os filhos escolham o que querem comer, contando que não seja muita porcaria. Eles comem direitinho porque escolheram, acompanhado de refrigerante, afinal, é fim de semana, né? O bebê come no prato da mãe mesmo e está super tranquilo. A avó tenta ajudar o máximo possível, apesar de sabermos que tudo recai sobre os ombros da mãe. O bebê agora cismou de não querer mais.
     - Ok! - Pensa a mãe. - Mais tarde compramos um biscoitinho para dar uma enganada. Se ele não está com fome, eu estou e não perderei meu tempo insistindo para que a criança coma!!
    Eles terminam a refeição rápido para continuar passeando no shopping.

    Família 3
    A mãe, o pai, os filhos... Todos comem Mac Donald's acompanhado de Coca-Cola. Todos montam e brincam com os brindes. O mais bebê come nuggets com batata frita e suco, os mais velhos Mac Lanche Feliz, afinal este mês é dos Minions e os brindes são super legais! Todos deixam boa parte da comida na bandeja e vão fazer compras.

    Julgamentos possíveis das outras mães que estão olhando a Família 1:

    - Que frescura dessa mãe!!! Criança tem que ter contato com os germes para desenvolver resistência!!
    - Por que enfiar legumes "guela" abaixo das crianças? Até no fim de semana? É por isso que são crianças chatas!!!
    - Essas crianças não devem nem aguentar viver com essa mãe paranoica!
    - E esse marido lerdo? Se fosse o meu, daria um tapa na testa para vê se acorda...
    - Adiantou todo esforço? Todo mundo saiu estressado!!!
    - Deixa as crianças brincarem, sua chata!!! Dá um copo de Coca que eles acalmam!!!

     Julgamentos possível das outras mães que estão olhando a Família 2:
    - Cadê o pai das crianças para ajudar a cuidar dos rebentos?
    - Tem que trazer a coitada da velha para ajudar!! Exploração de idosos!!!
    - Aláááá... deixa os meninos comerem o que querem!! Criança acostumada a fazer tudo o que quer! Por isso que esse mundo está assim!!
    - Falta pulso de homem, falta presença de pai...
    - Credo... o bebê comendo na mesma colher da mãe! Ela não tem noção da quantidade de bactérias e de doenças que são passadas pela boca?
    - Nossa... Deixa a criança sem comer e continua almoçando como se nada tivesse acontecendo. Mãe desnaturada!!

    Julgamentos possíveis das outras mães que estão olhando a Família 3:
    - Todo mundo comendo porcaria!!! Incentivando a obesidade infantil...
    - Vão crescer e ter um monte de doenças!
    - Criança fazendo o quer? Por isso crescem mimadas, achando que podem fazer tudo... Está aí o futuro deste País!!!
    - A família só pensa em comprar!!! Aí cresce um monte de criança fútil e vazia!! Tem que ensinar a valorizar as coisas realmente importantes da vida...

    E blá blá blá...

    Agora, pense: todas essas mamães querem o melhor para os filhos e para si mesmas. É o que importa! O que cada uma faz da sua vida, não diz respeito a ninguém! 

    A questão aqui não é o que cada mãe acha! Todo achismo é baseado em conceitos morais, vivência, como foi a infância da pessoa, poder aquisitivo, religião... Enfim, uma vida inteira de "certezas". Não dá para apontar o dedo e simplesmente falar. Na verdade, ninguém faz isso. Pensamos à respeito, comentamos com os mais próximos, mas nunca vi ninguém abordar uma mãe para falar mal das escolhas que ela faz. Não com a grosseria que pensamos! Às vezes um palpite furado, mas não expomos o que pensamos, a realidade nua e crua. E mesmo com os pitacos, a maioria de nós, mães,  daria uma má resposta daquelas dignas de se enfiar a cabeça na terra, então, é um dos perigos para os palpiteiros.

    Porém, desde que inventaram um troço chamada "rede social", as pessoas, livres do olho no olho, se sentem no direito de criticar, falar atrocidades, donas da verdade e propagadores das opiniões logicamente corretas, provadas inclusive com estudos científicos, procurados às pressas no Google só para provar que estão certas!!!

    E de onde tiraram a necessidade de estarem certas? Para quê provar que a minha opinião é a correta e lógica? Para quê responder às provocações que passam longe de um debate de ideias, mas uma guerra entre egos.

    Eu, sinceramente, quero evitar a fadiga! Prefiro que achem que sou mole demais, que não tenho argumentos, que estou errada, do que perder o tempo discutindo. Cada um que siga sua vida da maneira que quiser, não atrapalhando a minha...

    Haaa...Como seria mais fácil, se cada mãe cuidasse dos seus filhos, dos seus projetos, da sua própria vida, em vez de perder tempo criticando, magoando ou irritando outras mães! Demora-se um tempo para chegar a maturidade de não mais se importar com as opiniões alheias, para ligar o botão do "dane-se". Fico imaginando milhares de mulheres que vão para a cama de cabeça quente pensando nas escolhas "erradas" que fazem, como se já não nos sentíssemos culpadas o tempo todo, independente dos julgamento, ainda esses anjos de candura, facilitam a nossa missão plantando a semente da discórdia entre o nosso coração, o que sentimos que temos que fazer e o nosso cérebro, pesquisa, dados que "provam" que talvez não seja uma boa escolha. As circunstâncias, o que achamos exagero ou o que achamos necessário e imprescindível, ditam as regras que temos na maternidade, norteiam as decisões que tomamos.

    Cada um que siga o seu caminho, seu instinto de mãe. Quanto aos julgamentos, jogue fora o manual da "mãe perfeita" e diga NÃO às expectativas alheias!!!

    Boa noite!

    Gostou? Curta Uai, Mãe!?
     TIAGO IORC - BOSSA